Comendo bichos etc.

Aos 16 anos eu resolvi que não comeria mais carne vermelha. Desde então nunca mais comi nenhum pedaço de carne vermelha, patê, presunto, nada. De vez em quando, muito raramente eu como um peitinho de frango korin. Como ovos, adoro, tomo leite, queijos, adoro também e adoro comer qualquer coisa que seja vegetal: folhas, legumes, arroz, feijão, massas. Nunca avisei a ninguém que não comia carne. Se alguém me chamar para um churrasco eu simplesmente vou e não como carne. Como pão, arroz, salada de batata, farofa e molho a campanha, queijo de coalho, tem muitas coisas num churrasco que me deixam plenamente satisfeita. Em geral, levo umas batatas enroladas num papel alumínio ou cebolas e elas sempre fazem muito sucesso também.
Isso aconteceu numa fase muito bicho grilo que eu vivia. Foi quando resolvi também fazer faculdade de biologia, ia a passeatas para salvar baleias, esse tipo de ativismo. Usava camisetas com estampas de air brush com desenhos de cogumelos, li os livros do Carlos Castañeda. Eu li muitos muitos livros de do-in, decorei meridianos, chakras, filosofias diversas, Sugar Blues, passei uns 2 anos sem comer açucar, fiz “de um tudo”.
O que explicava minha decisão de não comer mais carne foi alguma das coisas que eu li que dizia que eu não tinha caninos afiados para rasgar carnes como os típicos carnívoros. Me convenci que estava para mais uma vaca que para uma leoa e que se eu resolvesse comer uma carne, que fosse de um bicho que eu mesma conseguisse pegar na natureza, como um peixe, uma ave, uma rã, um gafanhoto, coelho, esse bichos mais viáveis. Não acreditava que eu pudesse atacar e matar uma vaca e portanto ela não seria comestível. Dela eu poderia beber o leite. Como não tenho nenhuma atração por tais animais, nunca me atrevi a comer um coelho, um batráquio, um inseto, um pato.
Fiquei mesmo nos legumes, coisas que ficam paradas, na terra e eu só preciso arrancar. Algumas posso comer cruas e outras só precisam ser cozidas. E assim são 30 anos me alimentando desse jeito e está tudo bem, obrigada.
Hoje li que o cara do Facebook resolveu que só comeria bichos que ele mastasse e que isso causou o maior auê. A ideia dele é a mesma que a minha, só que parece que ele matou uns bichos pra comer, o que na minha opinião tá valendo.
Por que será que os bois, porcos, galinhas que vão pro abate oficial não causam tanta revolta?
Coitados…e a soja, o milho, as florestas que são exterminadas pra plantarem a ração dos bichos que serão abatidos pra comprarmos na embalagem da Sadia. Isso não incomoda ninguém.

Não sou de encher o saco de ninguém com minhas causas ecológicas, mas isso é o que eu penso. Só falei por causa da notícia que li agora.

About these ads

11 thoughts on “Comendo bichos etc.

  1. Tbm li esta matéria e pensei a mesma coisa!

    Apesar de comer pouca carne, sou contra esta indústria cruel justamente por tirar a dignidade da vida do animal, que muitas vezes vive preso, estressado, a base de hormônios… minha vó conta que no sítio, antigamente, havia um certo respeito até na hora do abate. O bichinho vivia solto no pasto, com sua vidinha social, e quando chegava a hora de virar comidinha de gente, o pessoal fazia com cuidado para não haver muito sofrimento, e se aproveitava tudo do animal, sua morte não podia ser em vão.

    A idéia de matar sua própria comida pode parecer meio nojenta, mas acho bem mais digno pro animal que viver confinado e morrer numa fila de abatedouro.

    Vi gente falando que foi covardia do cara, mas covardia pra mim é quem come carne na boa sem pensar na origem dela. ;-)

  2. Eu tenho respeito por vegetarianos. O problema é que toda vez que tentei deixar de comer carne, veio à tona o que tenho de pior como pessoa: irritabilidade, antipatia, intolerância e com o pacote, “turicas” ou tonturas. Acho que se funciona bem pra alguém e se a pessoa se sente bem, ok, sem problemas. Mas veja o meu caso: não tenho sexo regular, parei de fumar (o que me causou bastante sofrimento), e de bebedora efervescente de cerveja, passei a apenas beber socialmente. Não posso deixar a carne. Quanto a pensar na sua origem, como foi colocado aqui, confesso: não sinto culpa. Desde que nascemos já somos invadidos por esse sentimento que nos cerca de todos os lados e para quae toda a vida. Para mim, seria demais carregá-lo até na hora de comer. Mas reconheço que é nobre abrir mão do prazer por compaixão aos animais. Uma curiosidade individual: pela primeira vez divergimos em algo, mas a gente pode concordar em discordar:) Um abraço!

  3. Gloria, eu não discordo de você, apenas tenho minhas ideias e essas são muito consolidadas, já são 30anos. Tenho pena dos bichos, mas o que me incomoda mais é a indústria e todos os danos ambientais que vêm da criação dos animais. A Nina adora carne e eu nunca disse que ela não deveria comer. O que eu faço sempre é comprar carne de boa procedência,ou comer em lugares que façam isso. No restaurante da irmã da minha cunhada só entra carne de prima, então a Nina come feliz da vida sua picanha fatiada na chapa, que eu mesma ajudo a grelhar. Quer dizer, não há discordância da minha parte. Eu acho que com o passar dos anos, se ela for sensível a esse tipo de coisa que eu sou,poderá decidir. Não batizei a bichinha, também não digo que não deve comer carne.
    Beijos

  4. Andrea, voce é um ser evoluído. Acho muito tudo não comer carne. Admiro quem não come, tentei diminuir o consumo mas não eliminei do cardápio. O ser humano deveria ser mais generoso e agradecer a todas as fontes de alimentos – quando retiro folhas do meu pé de manjericão peço licença antes e agradeço a folha que recebo. Afinal, estou recebendo algo que foi feito para ser comido, mas sempre é uma doação e doações se agradecem.
    Um beijo
    Dinorah.
    (Huuummm! Adorei a picanha que a Nina come)

  5. Não sou nada evoluída. Nem quando eu era bem pequena era chegada em carne. Sempre fiquei com aqueles pedaços na boca mastigando como chicletes, até cuspir o bagaço. A Nina é diferente. Ela olha um espeto de churrasco cheio de coraçnao e quer comer. Eu não faço ideia de como é comer um coração, não posso nem pensar nisso. Mas acho mesmo que a pecuária é uma praga pro meio ambiente. bjs

  6. Eu sei querida, sei que não discordamos, é só que uma das coisas que me fizeram acompanhar teu blog anterior e agora este, foi o fato de que me identifiquei enormemente contigo. É tão bom a gente ler pessoas que escrevem exatamente o que queremos dizer. Você pensa ideologicamente como eu, tem gosto musical parecido com o meu, viu os mesmos programas na tv que eu (tb tenho 45 e completo 46 na próxima segunda), acha pessoas chatas que eu tb acho… Quando você fala dos lugares onde viveu e vive, eu me transporto e imagino quão bom seria se pudéssemos nos conhecer. Nem que fosse para um café com bolo e falar bem de pessoas boas e meter o pau em quem não presta, ou que a gente acha chato/a. É incrível que mesmo vc sendo real, temos apenas uma relação virtual e isso não anula minha admiração e afeto, sim porque sem admiração, não há afeto. Muita gente me critica porque tenho um namorado que mora longe e com o qual só me encontro 3 vezes por ano. Mas nem ligo, quando eu o encontro, é uma explosão de paixão e amor. Por que mencionei isso? Porque lembrei-me da bendita admiração que sinto por ele, e que me faz manter uma relação que vai na contramão de todos. Sem problemas, não dirijo mesmo, vou de táxi como Angélica:) Nesse ponto, pareço-me mais com Gisela Rao. Vc adora carros. Como eu queria adorar tb! Deles, só curto sentar no carona e curtir a ride. Descobri outro ponto que nos difere. Mas é bom assim. Se todo mundo fosse igual, o mundo seria tão chato quanto Lilia Cabral. (Perdoem-me os que a curtem aqui). Enquanto te escrevo, vejo que no Jornal da Globo vai rolar uma crônica sobre Jim Morrison que é do Nelsinho mimoso Mota. Que bom, que bom que te escrevi, foi a preparação para o prato principal. Estou sem tv a cabo porque preciso estudar, portanto, devo aproveitar quando a globo mostra coisas boas. Um beijo querida! Se nossos comentários pudessem ter um título, o meu seria, “Sobre outros bichos”:)

  7. hahahah Gloria. Eu também acho a Lilia Cabral uma chata. Aquele sorriso permanente com cara de “ué…ué…” AAAAh me irrita muito. E passando o rodo em gatinhos e homens interessantérrimos, pára! Queria passar uma tarde tomando café e falando disso com você.

  8. Acho interessante essa questão, mas penso que cada tem um jeito de pensar sobre comer ou não comer carne. Deixei de consumir carne há mais ou menos 2 anos, me sinto melhor, apesar que fui criada desde pequena a consumi-la, foi uma opção pessoal, comecei a me alimentar de forma mais saudável e a carne vermelha principalmente me fazia muito mal, me causava problemas digestivos e hoje sinto meu corpo bem melhor. Também não sou contra quem come, também incluo na alimentação dos meus filhos o consumo da carne, por ser importante no desenvolvimento das cças. Penso que uma nova cultura está sendo implantado em nosso meio, uma forma critica de rever nossos padrões, como proteção aos animais, um respeito maior por tudo que nos acerca sejam pessoas, animais ou ao meio ambiente, principalmente quando existe uma indústria de consumo feroz e uma corrida frenética por grandes riquezas, para ser o maior e melhor de todos, isso sim faz mal para o meio ambiente, faz muito mal pra cada um de nós.

  9. Ah, Dinorah, Dinorah (homenagem via canção). Eu tb adoraria. Daríamos boas risadas juntas. Talvez o café que quase tomamos juntas tenha quase o mesmo efeito que o encontro em si. Só idealizá-lo já traz alegria. Um abraço em você e em Dedea.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s